Cordeiro pastando em campo aberto [conto]

Meu Deus absolutamente não liga para o que eu faço. Ele reservou meu lugar no céu dos justos, crédulos e fiéis, e Se esqueceu da minha existência para aguardar ansiosamente minha chegada. Independente do que eu faça, ou não, até o dia do nosso encontro, uma festa embalada por Jimi Hendrix e Janis Joplins vai… Continuar lendo Cordeiro pastando em campo aberto [conto]

Besouro rola-bosta de barriga para cima [conto]

Todo dia quando acordo parece que um ônibus escolar cheio de pirralhos mimados me atingiu em cheio. O zumbido agudo e atormentador na minha cabeça são eles rindo e fazendo chacotas da minha carcaça. Maldito mundo meritocrático de bosta. Não mereço isso Senhor. Leve para longe de mim essa pivetada guardiã da moral e dos… Continuar lendo Besouro rola-bosta de barriga para cima [conto]

Rato condicionado perdido no labirinto de Skinner [conto]

Acordei de novo. Não lembro do que aconteceu ontem a noite. Não faz muita diferença. Não gosto de lembrar muito das coisas. Lembranças podem arruinar uma vida inteira em busca de porquês. Também não lembro de onde vem as dores, tenho a impressão que elas sempre tiveram aqui. Sempre soube que é muito mais fácil… Continuar lendo Rato condicionado perdido no labirinto de Skinner [conto]

Peso morto em CNTP [conto]

Nos últimos tempos tem crescido um sentimento em mim de querer ser abandonado. Acordar e descobrir que todo mundo que um dia me conheceu teve este detalhe menor da vida deletado da memória. Meu número desapareceria do celular das pessoas, meu e-mail nunca mais receberia mensagens e os crianças da rua iriam ter medo da… Continuar lendo Peso morto em CNTP [conto]

Mosca morta em movimento linear uniforme [conto]

Droga. Minha vida continua. As marcas na cara dizem que alguém tentou dar cabo dela ontem a noite. As dores no corpo gritam que tento fazer isso faz tempo, e nem isso eu consigo. Mas ao menos cada dia estou mais perto. O sangue no vômito é uma prova incontestável. Não consigo achar motivos para… Continuar lendo Mosca morta em movimento linear uniforme [conto]

Kid Neb [conto]

As vezes gosto de evitar pensamentos como: “o que eu tenho que fazer hoje?”. São pensamentos que me fazem invernar num labirinto de tempo perdido e futuro curto e indeterminado que me conduzem a acreditar que não há solução para os problemas da humanidade. Não sei se um ser como eu é capaz de enumerar… Continuar lendo Kid Neb [conto]

Uma imensidão de nada no meio do deserto de lugar nenhum [conto]

Devo ser uma daquelas almas rejeitadas no céu e no inferno que foram mandadas para um lugar pior: a minha vida. Meu corpo doía em partes que achei que não existissem mais. Num reflexo debilitado chutei alguma coisa. A filha do Jaime ainda estava deitada do meu lado. “Por que você é assim?” “Porque não… Continuar lendo Uma imensidão de nada no meio do deserto de lugar nenhum [conto]

Paradoxo da vida perdida [conto]

Meu Deus, ainda estou vivo. Não sei como. Mais uma vez o improvável venceu. De algum jeito cheguei na casa da Paula e ela me deixou ficar no quarto de hóspedes. Preferia o quarto dela, mas não foi desta vez. Também não sei o que aconteceu ontem a noite. Nem quero saber. Checo tudo para… Continuar lendo Paradoxo da vida perdida [conto]

A luta de Peito de Aço contra o destino implacável [conto]

Existe, por parte da maioria das pessoas, um senso de que tudo tem que ser justo. Mas numa luta de boxe tailandês, no porão do velho Big Dog, justiça era um conceito bem vago. Para o Mão Pesada tinha vindo com o Conselho Tutelar e o Abrigo de Menores do Estado. Enquanto ele surrava o… Continuar lendo A luta de Peito de Aço contra o destino implacável [conto]

Fábrica de chocolate verde [conto]

Em dias como este eu realmente não queria existir. Nos outros também não, mas nestes, em espacial, não queria mesmo. Não sei por quê acordei. Não quero saber a hora. Nem o dia. Não quero viver. Se a cama não estivesse molhada com toda imundice que meus poros expeliram nas últimas horas poderia morrer sem… Continuar lendo Fábrica de chocolate verde [conto]

Bruno e Maira em uma tarde qualquer [conto]

Bruno acordou como foi dormir, desempregado. Pegou a última colher de café e fez um chá preto fraco. Queria um cigarro, mas o cinzeiro não tinha bitucas. Precisava de dinheiro. Pensou em ligar para o César. Ele estava bem. Era gerente de alguma coisa numa multinacional há anos. Foram grandes parceiros de truco nos tempos… Continuar lendo Bruno e Maira em uma tarde qualquer [conto]

Ressaca mutante [conto]

Não estou conseguindo pensar. Nem levantar. Não quero saber como cheguei até aqui ou quem esta do meu lado. Quero sumir. Me mataria agora se ainda me restasse alguma dignidade ou uma arma ao alcance da minha mão. Acordar no quarto de uma desconhecida só é pior que acordar sozinho no quarto de uma desconhecida.… Continuar lendo Ressaca mutante [conto]

O buraco espacial e os Pigmeus destemidos [conto]

Depois de seis meses Mariana decidiu trocar de bar. A dívida de cento e cinquenta pilas no bar Bante já era impagável para ela. O acordo proposto pelo dono foi bom. Esquecia os dividendos desde que ela nunca mais pisasse lá. “Não gosto de você aqui. Meu bar não é puteiro”, disse o velho barbudo.… Continuar lendo O buraco espacial e os Pigmeus destemidos [conto]

Ovelhas desgarradas andando no trilho do trem [conto]

Helena invadiu o bar como um tiro. Passou pela porta já fazendo estragos e esbarrando em tudo e todos pelo corredor. O Jaime olhou para ela, depois olhou para mim lançando uma bigorna de responsabilidade no meu peito. Meu desejo de desaparecer não foi realizado e ela veio na minha direção cambaleando e rindo. “Como… Continuar lendo Ovelhas desgarradas andando no trilho do trem [conto]

Um encontro com Glinda [conto]

Acordar nunca é o melhor momento do dia. A primeira onda de culpa por toda uma existência desperdiçada vem em forma de dores e um cheiro forte de velhice. Não há nenhum sinal de que tenha chegado em casa acompanhado ontem a noite, o que, devido ao histórico, não é algo a se lamentar. Dizem… Continuar lendo Um encontro com Glinda [conto]

Quem não aposta não ganha [conto]

Aquele dia tinha tudo para dar errado. Devia ter percebido logo que acordei. Qualquer movimento que fazia provocava uma onda de dor que se espelhava na velocidade da luz e parecia que ia explodir na minha cabeça. O Senhor, com toda sua sabedoria, me fez assim, alcoólatra e viciado em cocaína, o que ele faria… Continuar lendo Quem não aposta não ganha [conto]

Barata tonta passeando pelo jardim [conto]

Entrei no bar quietinho. Torcendo para não ser visto. Não lembrava muito sobre a noite passada, e não queria ser lembrado. O Jaime estava colaborando comigo. Me viu chegando e parando no canto da parede com o balcão. Sem fazer alarde se aproximou com um copo de água. “Isso é tudo que você vai beber… Continuar lendo Barata tonta passeando pelo jardim [conto]

O álcool e a salvação [conto]

Acordei de um sonho estranho. Deus me mandava procurar uma garçonete do Milk Mellow e dizer para ela me ajudar a parar de beber. Fiquei meio assustado. Ele nunca tinha falado comigo antes. Algo me dizia que tinha aprontado uma das grandes na noite anterior. Me senti compelido a ir na lanchonete cumprir Sua vontade.… Continuar lendo O álcool e a salvação [conto]

Deixe a vida florescer e não entre em pânico [conto]

Abri os olhos ainda na dúvida: que parte do que aconteceu ontem era só um pesadelo? Notei a filha do Jaime do meu lado e conclui que o sonho já havia acabado muito antes do John Lennon. Mas as dores tinham ficado. Eram reais. Pelo corpo todo. Partes que nunca havia notado a existência latejavam.… Continuar lendo Deixe a vida florescer e não entre em pânico [conto]