O escritor e o público [conto]

Senti a cabeça martelando e um zumbido contínuo vindo do mundo lá fora. Qualquer coisa me faria melhor que acordar. Senhor, porque tem uma mulher pelada do meu lado na cama? Imagino que o Senhor, com toda Sua sabedoria, está punindo-a por algum pormenor que ésta alma errante tenha aprontado nessa vida, mas isso precisa… Continuar lendo O escritor e o público [conto]

O passo e a linha [conto]

1° Ato: Anderson, de 19 anos, leva um tiro na perna. O jovem tinha ido comprar, para curtir o fim de semana com os amigos, maconha e pó numa favela da zona oeste, e a polícia apareceu de surpresa numa batida quando ele estava de saída. Durante a troca de tiros uma bala, sabe-se lá… Continuar lendo O passo e a linha [conto]

O lá não existe [conto]

Nossa, que sensação incrível estar amparado por uma camada grossa e macia de espuma. Não é a minha cama. Não quero abrir o olho e saber onde estou. Não quero sair daqui nunca mais. Sinto que há um fino e macio tecido envolvendo meu corpo. Como isso é bom. "Você tem que ir embora.” Essa… Continuar lendo O lá não existe [conto]

Nadando numa piscina de bolinhas [conto]

Quando entrei na sala estava tudo acontecendo ao mesmo tempo. A Dani e o Rato tavam se pegando no nível novela das 23h num pufe no canto. Não era exatamente o que mais me chamou a atenção numa primeira olhada. O prato com duas giletes e vestígios de um pó branco que repousava em cima… Continuar lendo Nadando numa piscina de bolinhas [conto]

Fábrica de chocolate verde [conto]

Em dias como este eu realmente não queria existir. Nos outros também não, mas nestes, em espacial, não queria mesmo. Não sei por quê acordei. Não quero saber a hora. Nem o dia. Não quero viver. Se a cama não estivesse molhada com toda imundice que meus poros expeliram nas últimas horas poderia morrer sem… Continuar lendo Fábrica de chocolate verde [conto]

Tirando a sorte grande [conto]

O Jonas tinha pegado uma garota de programa para entrar com ele de fachada na frente, enquanto o Maleita ficaria escondido dentro do porta malas. Era um motel de beira de estrada sujo. “Ei, ninguém me falou que ia ser a três. Para mim não tem problema, mas eu cobro o dobro.” “Olha só......a gente paga......mas… Continuar lendo Tirando a sorte grande [conto]

Fatos Cotidianos 19 – Vítimas e culpados [conto]

[Primeiro ato: os cordeiros, as ovelhas e os elefantes.] Gabriel tinha 13 anos e vendia pinos de cocaína numa esquina de uma rua pouco movimentada durante a madrugada. O trabalho lhe garantia, num dia ruim, R$300. Ele era o mais velho dos três filhos de D. Josefina com Seu Sebastião. A matriarca tinha morrido poucos… Continuar lendo Fatos Cotidianos 19 – Vítimas e culpados [conto]

As taças quebradas e o vinho derramado [conto]

Era a porra de uma festa de ano novo e aqueles veados estavam falando alguma coisa sobre o trabalho. O Scott era psicanalista de um monte de riquinhas querendo rola. O Ted era o advogado corrupto dos maridos das riquinhas frustradas. A Mary era a diretora do canil que chamavam de escola onde as filhas… Continuar lendo As taças quebradas e o vinho derramado [conto]

The dream is over again [conto]

Não sei como nem porque chegaram até mim, mas vi pelo olho mágico que tem um homem fardado com uma pasta preta na mão na minha porta, que deve estar querendo saber um monte de coisas que fiz e não lembro. Ou pior. Ele sabe o que fiz, e eu não. Enquanto isso estou no… Continuar lendo The dream is over again [conto]

Crise psicológica permanente [conto]

Quando se tem vinte e poucos anos ver o sol nascer, bêbado e chapado na rua em plena segunda-feira, significa: “eu sou feliz e você não.” Porque o mundo inteiro pode ser dividido em dois: aqueles que são felizes e demonstram isso e aqueles que são rancorosos e enchem o saco. E o Pancada não… Continuar lendo Crise psicológica permanente [conto]

As últimas 24h de Vitória [conto]

Sempre que Vitória sentava na sua mesa, e colocava aquela tiara com fone de ouvidos e microfone, se sentia um lixo. Trabalhar com telemarketing não era a profissão com qual sonhava para o auge de seus vinte anos. Naqueles primeiros minutos, enquanto esperava o computador logar, pensava que o suicídio não era uma hipótese a… Continuar lendo As últimas 24h de Vitória [conto]