Nadando numa piscina de bolinhas [conto]

Quando entrei na sala estava tudo acontecendo ao mesmo tempo. A Dani e o Rato tavam se pegando no nível novela das 23h num pufe no canto. Não era exatamente o que mais me chamou a atenção numa primeira olhada. O prato com duas giletes e vestígios de um pó branco que repousava em cima… Continuar lendo Nadando numa piscina de bolinhas [conto]

Rato condicionado perdido no labirinto de Skinner [conto]

Acordei de novo. Não lembro do que aconteceu ontem a noite. Não faz muita diferença. Não gosto de lembrar muito das coisas. Lembranças podem arruinar uma vida inteira em busca de porquês. Também não lembro de onde vem as dores, tenho a impressão que elas sempre tiveram aqui. Sempre soube que é muito mais fácil… Continuar lendo Rato condicionado perdido no labirinto de Skinner [conto]

Uma imensidão de nada no meio do deserto de lugar nenhum [conto]

Devo ser uma daquelas almas rejeitadas no céu e no inferno que foram mandadas para um lugar pior: a minha vida. Meu corpo doía em partes que achei que não existissem mais. Num reflexo debilitado chutei alguma coisa. A filha do Jaime ainda estava deitada do meu lado. “Por que você é assim?” “Porque não… Continuar lendo Uma imensidão de nada no meio do deserto de lugar nenhum [conto]

Superhero, jelly and flying double kick [tale]

Translation | Eder Capobianco Antimidia It was nearly midnight and the uproar is formed in the middle of the square. The crowd was arranged in circle crowding together and screaming for blood. Two guys exchanged kicking and punching as if it was a duel until the death, but without a lady for the winner. Neb… Continuar lendo Superhero, jelly and flying double kick [tale]

As taças quebradas e o vinho derramado [conto]

Era a porra de uma festa de ano novo e aqueles veados estavam falando alguma coisa sobre o trabalho. O Scott era psicanalista de um monte de riquinhas querendo rola. O Ted era o advogado corrupto dos maridos das riquinhas frustradas. A Mary era a diretora do canil que chamavam de escola onde as filhas… Continuar lendo As taças quebradas e o vinho derramado [conto]

It’s only rock’n roll [conto]

[Sentado na escrivaninha.] É a porra de um trabalho criativo. Todo mundo diz que sou criativo. Então eu devo ser criativo porra! Você faz em cinco minutos e um baseadinho! Ele devia ter falado: “Não quero pagar ninguém para desenhar esta merdinha que qualquer idiota pseudo-artista de bosta pode fazer, e você é um idiota… Continuar lendo It’s only rock’n roll [conto]

The dream is over again [conto]

Não sei como nem porque chegaram até mim, mas vi pelo olho mágico que tem um homem fardado com uma pasta preta na mão na minha porta, que deve estar querendo saber um monte de coisas que fiz e não lembro. Ou pior. Ele sabe o que fiz, e eu não. Enquanto isso estou no… Continuar lendo The dream is over again [conto]

Ovelhas desgarradas andando no trilho do trem [conto]

Helena invadiu o bar como um tiro. Passou pela porta já fazendo estragos e esbarrando em tudo e todos pelo corredor. O Jaime olhou para ela, depois olhou para mim lançando uma bigorna de responsabilidade no meu peito. Meu desejo de desaparecer não foi realizado e ela veio na minha direção cambaleando e rindo. “Como… Continuar lendo Ovelhas desgarradas andando no trilho do trem [conto]

Manhãs de 2002 [conto]

Acordei às cinco e meia da manhã. Isto não é hora de gente acordar, é madrugada, ainda esta escuro. Concordo que algumas pessoas acordem esta hora, como, por exemplo, meu avô, que levanta esta hora porque gosta. Ele limpa a gaiola dos passarinhos, joga água no jardim e faz um monte de outras coisas, que… Continuar lendo Manhãs de 2002 [conto]

Um encontro com Glinda [conto]

Acordar nunca é o melhor momento do dia. A primeira onda de culpa por toda uma existência desperdiçada vem em forma de dores e um cheiro forte de velhice. Não há nenhum sinal de que tenha chegado em casa acompanhado ontem a noite, o que, devido ao histórico, não é algo a se lamentar. Dizem… Continuar lendo Um encontro com Glinda [conto]

Crise psicológica permanente [conto]

Quando se tem vinte e poucos anos ver o sol nascer, bêbado e chapado na rua em plena segunda-feira, significa: “eu sou feliz e você não.” Porque o mundo inteiro pode ser dividido em dois: aqueles que são felizes e demonstram isso e aqueles que são rancorosos e enchem o saco. E o Pancada não… Continuar lendo Crise psicológica permanente [conto]

Quem não aposta não ganha [conto]

Aquele dia tinha tudo para dar errado. Devia ter percebido logo que acordei. Qualquer movimento que fazia provocava uma onda de dor que se espelhava na velocidade da luz e parecia que ia explodir na minha cabeça. O Senhor, com toda sua sabedoria, me fez assim, alcoólatra e viciado em cocaína, o que ele faria… Continuar lendo Quem não aposta não ganha [conto]

Gafanhoto tonto e as tigresas famintas [conto]

Aquele era um tempo onde as pessoas não tinham medo de sair na chuva e sujar suas botas de barro e andar na lama. Os homens ainda podiam carregar sua segurança no coldre, e senhoras distintas não frequentavam ambientes noturnos. Não existia assistência social, e os bêbados exerciam livremente seu direito humanitário de viver como… Continuar lendo Gafanhoto tonto e as tigresas famintas [conto]

Diário de bordo do capitão cérebro frito [conto]

[12/07/1997 – 16:34] Se símbolo da inteligência é o caracol o Prego estava personificando a inteligência do mundo jogado num canto enrolado em si mesmo todo molhado. Estou sentado neste colchão há não sei quanto tempo. Detrás do balcão da cozinha o Pelé preparava mais uma dose de chá. O cheiro foi tomando conta da… Continuar lendo Diário de bordo do capitão cérebro frito [conto]